(não sou fã de escrever posts longos, mas dessa vez, abrirei uma exceção!)
Segue o trecho do texto Lacunas na Mente, extraído do livro O Capelão do Diabo, de Richard Dawkins - o cara quando o assunto (e a polêmica) é evolução, filosofia evolucionista e a eterna briga criacionismo x darwinismo.
"Senhor, sua solicitação de dinheiro para salvar os gorilas é sem dúvida alguma muito louvável. Mas não parece ter lhe ocorrido que exatamente no mesmo lugar, o continente africano, há milhares de crianças humanas sofrendo. Teremos tempo suficiente para nos preocupar com os gorilas quando não houver mais nenhuma criança em situação de risco. Por favor, cuidemos primeiro do que é prioridade!"
(...) variante da mesma carta, apresentada a seguir: "Senhor, sua solicitação de dinheiro para salvar os gorilas é sem dúvida alguma muito louvável. Mas não parece ter lhe ocorrido que exatamente no mesmo lugar, o continente africano, há milhares de porcos-formigueiros sofrendo. Teremos tempo suficiente para nos preocupar com os gorilas quando não houver mais nenhum porco-formigueiro em situação de risco. Por favor, cuidemos primeiro do que é prioridade!"
Essa segunda carta inevitavelmente induz à indagação: "O que há de tão especial nos porcos-formigueiros?". É uma boa pergunta, e esperaríamos uma boa resposta para ela antes que pudéssemos levar a sério uma carta como essa. E, no entanto, parece-me que para a maioria das pessoas, a primeira carta não incitaria a questão equivalente - "O que há de tão especial nos humanos?". (...) O que estou criticando é apenas o fato de que, em relação aos humanos, uma pergunta como essa nem sequer seja formulada.
A premissa do especiesismo que se oculta aqui é muito simples. Os humanos são humanos e os gorilas são animais. Há um abismo inquestionável entre eles, de tal maneira que a vida de uma única criança humana vale mais do que a vida de todos os gorilas no planeta. O 'valor' de uma vida animal corresponde simplesmente ao custo de substituição para o seu dono - ou no caso de uma espécie rara, para a humanidade. Mas, pendure a etiqueta Homo sapiens até mesmo num pedaço de tecido embrionário, minúsculo e desprovido de consciência, e o valor de sua vida subitamente dá um salto e se torna infinito, incalculável.
Esse post é uma homenagem singela minha ao Dia do Biólogo, 3 de setembro. A ciência tem uma estética que não é conhecida, e é nela, que podemos perceber o quanto a existência humana é recente em relação à existência de praticamente todos os outros seres do planeta. O que isso faz de nós melhor que eles?
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